Sossegado, lá estava este velho marujo, velejando com o Migrator em mar aberto no inverno de 2005. Os respingos das ondas mais pareciam gotas de gelo, e o vento soprava inquieto em minhas velas. Eu tinha um carregamento de pranchas de surfe que tirei das garras de um pepino do mar gigante, e cortava as ondas a caminho da Ilha Rockhopper.
Arr, era um belo dia para velejar, mas o coração me pesava no peito. Já se passavam mais de nove meses desde que esses olhos cansados do mar tinham visto o Club Penguin pela última vez, e talvez nunca colocasse minhas nadadeiras lá novamente. A apenas uma semana do Natal, percebi que nunca tinha comemorado essa data sem meus marujos de terra firme! Arr, que saudade!Os gritos de Yarr, que parecia me avisar de uma tempestade, me acordaram de meus devaneios. Aquele marujo peludo estava pulando no ninho da gávea – acho que ele tinha comido torrões de açúcar demais!
– Ó de bordo, Yarr! O que você vê à frente? – gritei para ele. Ele gritou duas vezes, e me mostrou a língua. Isso queria dizer que tinha avistado a Ilha Rockhopper. – Terra à vista! – gritei, pegando o leme. Manejar mastro da mezena! Fechar escotilhas! Vamos lançar âncora na Ilha Rockhopper antes do cair da noite!Logo vi o vulcão da ilha no horizonte. Virei o leme e o Migrator seguiu em sua direção, justo para o local onde eu guardava meu butim. Yarr desapareceu no porão e voltou com uma prancha, fazendo a maior cara de dó dos setes mares! – Basta! Você não precisa da permissão do capitão para ir surfar, seu pestinha do mar! Já disse que uma das pranchas era sua! Yarr deu um gritinho de agradecimento e caiu no mar. Ele tinha começado a surfar desde que encontramos as pranchas e estava se tornando um verdadeiro marujo das ondas!Navegando por entre recifes e rochas, consegui guiar o Migrator até um lugar escondido, com uma passagem para a Caverna Secreta Rockhopper! Aposto minhas penas, mas não posso dizer onde a caverna fica, porque então não seria secreta, mas posso garantir que é difícil de encontrar! Arr! E é importante deixar isso bem claro para a próxima parte desse conto de pirata.
Guiei meu navio até a caverna, que estava iluminada pelo brilho da lava do vulcão, e baixei âncora. Este velho marinheiro esperava ver seu monte de tesouro cintilante mas, ao desembarcar, não havia ouro algum à frente deste bico! – Pelas penas do pinguim! O que isso quer dizer? ARR! – gritei, enquanto me pendurava em uma corda e pulava para a praia. Minha grande pilha de tesouros havia desaparecido! – Basta! Meu tesouro foi pilhado!No agitar das penas, quase tropecei no meu chapéu, mas foi quando dei de bico com um único dobrão de ouro no chão. – Ho, ho, ho! Mas o que temos aqui? Esses vigaristas do mar deixaram uma trilha do meu tesouro! Cabeças de camarão! Vou encontrá-los! Então segui a trilha de moedas no meio da mata da Ilha Rockhopper. Caminhei por entre as árvores, por pântanos e raízes, e com os olhos bem abertos em busca de um brilho dourado.Andei por toda a ilha, enchendo meu chapéu com as moedas do caminho, até chegar à praia. Lá fiz uma descoberta dos sete mares! Centenas de bolas de pelo, iguaizinhas ao Yarr, estavam pulando e brincando com o meu ouro! Eu nem sabia que esses marujos peludos moravam na ilha! Fui ao encontro desses pestes marinhos o mais rápido que pude.
– Ó de bordo, suas bolas festeiras de pelo! O que estão fazendo com o meu tesouro? – Gritei, mas Acho que exagerei; todos saíram gritando e pulando para bem longe, deixando meu ouro para trás. Juntei todo o tesouro, e podia sentir nas minhas penas que eles me observavam escondidos nos arbustos. Coloquei tudo em uma pilha e voltei para a minha caverna. Havia tanto ouro que precisaria do Migrator para levar tudo de volta. Quando cheguei lá, Yarr saltou na minha frente, e parecia confuso. – Arr! Venha comigo, Yarr! Precisamos trazer aquele tesouro para cá! Navegamos até a praia e baixamos âncora. Minha pilha de ouro ainda estava lá, intocada. Peguei meu bote salva-vidas e comecei a remar em direção à margem. – Parece que há um rebanho inteiro de criaturas peludas como você vivendo aqui, Yarr! – resmunguei. – Elas acharam que meu tesouro era brinquedo! – Mas Yarr nem gritou. Só parecia um pouco tristonho. Ao chegarmos à margem, amarrei o bote e comecei a enchê-lo de ouro. Percebi que, em vez de ajudar, Yarr estava com os olhos vidrados nos arbustos. Avistei umas das criaturinhas, mas ela desapareceu.
– Venha, Yarr! Quando voltamos para o Migrator, comecei a descarregar, e Yarr sumiu para o porão do navio. Minutos depois, ele reapareceu, levando algumas pranchas. Então, se sentou ao meu lado e olhou para este velho marujo com aquela velha cara de dó. – Arr! Esqueci que o porão estava cheio de pranchas! Vamos precisar de duas viagens para pegar tudo e... O que você quer, Yarr? Os olhos dele ficaram mais pidões, como quem está prestes a andar sobre a prancha (do navio), e eu sabia o que viria depois. – Você quer que eu dê as pranchas para eles? Mas por quê? Eles levaram meu tesouro sem pedir! Foi quando Yarr me cutucou com uma coisa. Era um calendário. Yarr havia circulado uma data. Só faltava uma semana para o Natal. Pensei um pouco cá com minhas penas e então disse, com um sorriso no bico: – Talvez não precisemos de duas viagens... Arr! Venha, Yarr, me ajude a levar essas pranchas até a praia!
Descarregamos tudo e, depois de alguns gritos encorajadores de Yarr, um rebanho inteiro de bolas de pelo saiu pulando da mata para inspecionar seus presentes. Eles estavam tão felizes! A multidão peluda fez alvoroço e Yarr ensinou todos a surfar. Até descarreguei alguns barris de Cream Soda para comemorar com os pequenos marujos! Passei meu primeiro Natal na Ilha Rockhopper com uma centena de amigos saltitantes. E embora ainda sentisse saudade do Club Penguin, vou me lembrar desse Natal pelo resto de meus dias.
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